Cântico Espiritual (26)
Na interior adegaDe meu Amado bebi, e quando saíaAo longo desta veiga,Já nada eu sabiaE meu gado perdi, que antes seguia.
Na nossa família de Carmelitas Descalços o ano de 2026 será ano jubilar. No próximo ano celebram-se os trezentos anos da canonização de São João da Cruz e o centenário do seu doutoramento eclesial.
Na interior adegaDe meu Amado bebi, e quando saíaAo longo desta veiga,Já nada eu sabiaE meu gado perdi, que antes seguia.
Acorrem as donzelas,No encalço dos teus rastros, ao caminho;Ao toque de centelhas,Ao perfumado vinho,Emanações de bálsamo divino.
Esposa Nosso leito floridoCom grutas de leões entrelaçado,De púrpura tecido,De paz edificado,De mil escudos de oiro coroado.
Sob a macieira entãoAli comigo foste desposada,Ali te dei a mãoE foste reparadaLá onde tua mãe foi violada.
Entrada foi a esposaNaquele ameno horto desejadoE a seu gosto repousa,O colo reclinadoSobre os tão doces braços do Amado.
Pelas amenas lirasE canto de sereias vos conjuroQue cessem vossas irasE não toqueis no muroPara um sono da esposa mais seguro.
Esposo Às aves bem ligeiras,Leões, veados, gamos saltadores,Montes, vales, ribeiras,Águas, ventos, ardoresE receios das noites veladores.
Esconde-Te, ó Amado,Volta o teu rosto para as montanhas;Ficando-Te calado;Mas vê bem as companhasDa que se vai por ínsulas estranhas.
Ó ninfas da Judeia,Em tanto que das flores e rosaisO âmbar nos rodeia,Vivei nos arrabaisE não queirais tocar nossos umbrais!
Sê, Norte, um vento morto!Vem, Austro, que recordas os amores!Aspira por meu hortoDerrama teus odoresE pascerá o Amado entre as flores!