Comunica-se Deus à alma com toda a força de amor, que não há afeição de mãe
que com tanta ternura acaricie o seu filho, nem amor de irmão
nem amizade de amigo que se lhe compare.
Porque ainda chega a tanto a ternura e verdade de amor
com que o imenso Pai
regala e engrandece a esta humilde e amorosa alma,
– oh coisa maravilhosa
e digna de todo pavor e admiração! –, que se sujeita verdadeiramente a ela para a engrandecer,
como se ele fosse o seu servo e ela fosse o seu senhor.
E está tão solícito em a regalar, como se ele fosse o seu escravo e ela fosse o seu Deus:
Tão profunda é a humildade e a doçura de Deus!
Porque ele nesta comunicação de amor
exercita de lguma maneira aquele serviço que diz no Evangelho (Lc 12, 37)
que fará aos seus escolhidos no céu, a saber, que, cingindo-se, passando de um a outro, servi-lo-á.
E assim, está aqui empregue em regalar e acariciar a alma
como a mãe em servir e regalar ao seu filho, criando-o aos seus próprios peitos.
No qual a alma conhece
a verdade do dito de Isaías (66, 12), que diz:
Sereis levados aos peitos de Deus
e sobre os seus joelhos sereis regalados. Que sentirá, pois, a alma aqui,
entre tão soberanas mercês? Como se derreterá em amor! Como agradecerá ela,
vendo estes peitos de Deus abertos para si com tão soberano e largo amor!
Sentindo-se posta entre tantos deleites, entrega-se toda a si mesma a ele,
e dá-lhe também os seus peitos da sua vontade e amor.
CB 27, 1-2


