Cântico Espiritual (16)
Caçai-nos as raposasQue está já florescida nossa vinhaEnquanto nós com rosasFazemos uma pinhaE ninguém deste monte se avizinha.
Na nossa família de Carmelitas Descalços o ano de 2026 será ano jubilar. No próximo ano celebram-se os trezentos anos da canonização de São João da Cruz e o centenário do seu doutoramento eclesial.
Caçai-nos as raposasQue está já florescida nossa vinhaEnquanto nós com rosasFazemos uma pinhaE ninguém deste monte se avizinha.
A noite sossegadaJá quando vem o anúncio da aurora,A música calada,A solidão sonora,A ceia que recreia e que enamora.
Esposa Meu Amado, as montanhas,Os vales solitários nemorosos,As ínsulas estranhas,Os rios rumorosos,O sibilo dos ventos amorosos.
Afasta-os, Amado,Que estou voando. Esposo Volta, minha pomba,Que, ferido, o veadoLá no outeiro assomaAo sopro do teu voo e o fresco toma.
Cristalina nascente,Se nesses teus semblantes prateadosFormasses de repenteOs olhos desejadosQue tenho nas entranhas desenhados!
Mostra a tua presença,Matem-me tua vista e formosura,Pois olha que a doençaDe amor jamais se curaSenão com a presença e a figura.
Apaga o meu desgostoPois mais ninguém consegue desfazê-lo,E veja-Te o meu rostoQue és lume a acendê-loE apenas para Ti eu quero tê-lo!
Porquê, tendo chagadoA este coração, o não curaste?E, pois mo hás roubado,Porque assim o deixasteE não guardas o roubo que roubaste?
Mas como perseveras,Ó vida, não vivendo onde vives,Matando-te deverasAs flechas que recebesDaquilo que do Amado em ti concebes?
E todos quantos vagamDe Ti me vão mil graças relatando!E todos mais me chagamE mais me vai matandoUm não sei quê que ficam balbuciando!