Esta é a madrugada que eu esperava
Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo (Sophia de Mello Breyner Andresen)
Jubileu 2025 | Poemas
Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo (Sophia de Mello Breyner Andresen)
Nas praias que são o rosto branco das amadas mortasDeixarei que o teu nome se perca repetido Mas espera-me:Pois por mais longos que sejam os caminhosEu regresso.(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Dei-te a solidão do dia inteiro.Na praia deserta, brincando com a areia,No silêncio que apenas quebrava a maré cheiaA gritar o seu eterno insulto,Longamente esperei que o teu vultoRompesse o nevoeiro.(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Deus eterno, trino e uno,Vossa luz vivificanteReconforte a nossa féDe cansados peregrinos. Em Vós cremos, Pai altíssimo,E no vosso amado Filho,Como cremos no Paráclito,Vínculo de amor eterno. Perfeição da caridade,Nosso fim, nossa ventura,Aumentai-nos a esperançaPenhor da futura glória. Vós sois o Princípio e o Termo,Clara fonte inesgotável,Que sacia a humana sedeNas angústias do deserto. Toda
Um novo coração me dá, Senhor,O qual a Ti só tema, a Ti só ame,A Ti, meu Deus, meu Pai, meu Redentor. Por Ti suspire sempre, por Ti chame,Por Ti me negue a mim e tudo negue,Por Ti saudosas lágrimas derrame. A Ti busque, a Ti ache, a Ti me entregue,Com tão intenso amor, com
A esperança tanto alcança quanto espera.No deserto da alma, oculta arde a chama.Nada vê, tudo contempla.Nada possui, tudo vislumbra.Nada pede, entrega-se. Na noite do espírito, soa o silêncio eterno.Alcança porque espera.Espera porque já repousa em Deus. Sim, no silêncio,Deus é espera que cumpre. Verónica Parente – CHAM, 14 outubro 2025
A ESPERANÇA é uma menina muito pequenina,oculta nas brumas do coração.Saltita por entre espinhos e nevoeiros,onde o sol não chega inteiro,mas onde o silêncio tem o sabor de Pai. Saltita devagar,como quem atravessa o deserto interiorcom as mãos vazias e o olhar desperto.Não traz mapas, nem promessas– apenas a lembrança de uma luz antigaque nunca
Ó Hóstia Santa,nossa única Esperança em todos os sofrimentose contrariedades da vida! Ó Hóstia Santa,nossa única Esperança na vida e na hora da nossa morte! Ó Hóstia Santa,nossa única Esperança no meio das falsidades e das traições! Ó Hóstia Santa,nossa única Esperança nas trevase na impiedade que submergem a terra! Ó Hóstia Santa,nossa única Esperança
Eu me atenho ao já dito: A justiça,apesar da lei e dos costumes,apesar do dinheiro e da esmola. A humildade,para ser eu, verdadeiro. A liberdadepara ser homem.E a pobreza, para ser livre. A fé, cristã,para andar de noite,e, sobretudo, para andar de dia. E, em todo caso, irmãos,eu me atenho ao já dito:a Esperança! Pedro
A teia tecidanas noites de esperança,rasgada e ferida,segue a nossa andança. E juntos, mãos dadas,olhamos pra ela,vontades paradas,quais barcos sem vela. Amigo, que o braçocansado de tédioergamos no espaço!É esse o remédio. Depois de cerzidas,não ficam marcadasprofundas feridasem teias rasgadas! Isabel Gouveia