Os Dois Horizontes
Machado de Assis
Jubileu 2025 | Poemas
Não peça eu nuncapara me ver livre de perigos,mas coragem para afrontá-los. Não queira euque se apaguem as minhas dores,mas que saiba dominá-lasno meu coração. Não procure eu amigosno campo da batalha da vida,mas ter forças dentro de mim. Não deseje eu ansiosamenteser salvo,mas ter esperançapara conquistar pacientementea minha liberdade. Não seja eu tão cobarde,
Enterrem-me no rio,Perto de uma garça branca.O resto já será meu.E aquela correnteza francaQue eu, passando, pedia,Será pátria recuperada.O êxito do fracasso.A graça da chegada.A sombra-em-cruz da vidaSob este sol de verdadeTem a exata medidaDa paz de um homem morto…E o tempo é eternidadeE toda a rota é porto! D. Pedro Casaldáliga, bispo de São
Disse-me baixinho:— Meu amor, olha-me nos olhos.Ralhei-lhe, duramente, e disse-lhe:— Vai-te embora.Mas ele não foi.Chegou ao pé de mim e agarrou-me as mãos…Eu disse-lhe:— Deixa-me.Mas ele não deixou. Encostou a cara ao meu ouvido.Afastei-me um pouco,fiquei a olhá-lo e disse-lhe:— Não tens vergonha? Nem se moveu.Os seus lábios roçaram a minha face.Estremeci e disse-lhe:— Como
Com esta boa esperançaQue do alto lhes descia,O peso dos seus trabalhosMais leves se lhes fazia;Porém a larga esperançaE o desejo que cresciaDe gozar-se com o EsposoDe contínuo os afligia. (São João da Cruz, Poesia 5)
Tantas formas revestes, e nenhumaMe satisfaz!Vens às vezes no amor, e quase te acredito.Mas todo o amor é um gritoDesesperadoQue apenas ouve o eco…PecoPor absurdo humano:Quero não sei que cálice profanoCheio de um vinho herético e sagrado. Miguel Torga
Saiu o Semeador a semearAbraços sem braços…Saudades sem laços… Saiu carregado na dor,Era semente a semear… Tempo de fruto coroado,Arado em Terra lavradaNos hortos floridosDe pétalas esquecidas. Ficou o Semeador a semearPregado na sementeiraDa raiz do amor… (Catarina Gonçalves)
Aproxima-se o fim.E tenho pena de acabar assim,Em vez de natureza consumada,Ruína humana.Inválido do corpoE tolhido da alma.Morto em todos os órgãos e sentidos.Longo foi o caminho e desmedidosOs sonhos que nele tive.Mas ninguém viveContra as leis do destino.E o destino não quisQue eu me cumprisse como porfiei,E caísse de pé, num desafio.Rio feliz a
Quando a tempestade passare se amassem os caminhose formos sobreviventesde um naufrágio coletivo. Com o coração chorosoe o destino abençoadosentir-nos-emos felizessó por estarmos vivos. E daremos um abraçoao primeiro desconhecidoe louvaremos a sortede manter um amigo. E então lembraremostudo aquilo que perdemose de uma vez só aprenderemostudo o que não aprendemos. Deixaremos de ser invejososporque
“Esperança” é a coisa com plumas —Que na alma se aninha —Seu canto não tem palavras —Sempre a mesma — ladainha — Soa bem — na ventania —E só a forte tormenta —Há de calar a PassarinhaQue a tantos acalenta — Ouvi-a na terra mais fria —E no estranho Mar sem fim —Mas — nem