Sobre a comunicação das Três Pessoas
Em aquele amor imenso
Que de ambos procedia
Palavras de grande gozo
O Pai ao Filho dizia
Com tão profundo deleite
Que ninguém as entendia.
Somente o Filho as gozava
Porque a Ele pertencia,
Mas aquilo que se entende Desta maneira dizia:
«Nada me contenta, Filho, Senão tua companhia.
E se coisa me contenta Em ti mesmo Eu a queria: O que a ti mais se parece A mim mais satisfaria
E o que nada te assemelha Em mim nada encontraria. Eu só de ti me agradei,
Ó vida da vida minha! És a luz da minha luz, És minha sabedoria;
Da minha substância imagem Em que Eu bem me comprazia. A quem amar-te, meu Filho,
A mim mesmo me daria E o amor que Eu te tenho Nesse mesmo Eu o poria, Só por Ele ter amado
A quem Eu tanto queria».


