Bodas d’Ouro do Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo

O Carmelo de Rainha do Mundo, em Faro, atingiu, nas vésperas do dia 13 de Julho de 2026, o ponto auge das celebrações dos 50 anos da sua fundação. Este cume foi a eucaristia presidida pelo senhor Dom Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve, que contou com a concelebração do Padre Provincial dos Carmelitas Descalços, Frei. Vasco Nuno Tavares da Costa, de vários sacerdotes e de um diácono diocesano.

A assembleia congregou ainda numerosos fiéis, consagrados e membros seculares da Ordem dos Carmelitas Descalços de Tavira e de Faro, bem como irmãos da confraria da Ordem do Carmo da Igreja do Carmo daquela cidade. Associaram-se ainda àquelas celebrações e ao jubilo das Irmãs o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Faro, Dr. António Miguel Pina, e o Senhor Presidente da Assembleia Municipal, Dr. Macário Correia.

Na sua homilia, Dom Manuel Quintas destacou a importância da vida orante das Irmãs Carmelitas Descalças para a Diocese e sublinhou que o «sonho de Deus» é fazer morada na vida de cada pessoa! Referiu ainda que a presença do Carmelo ajuda a despertar essa consciência pela força do testemunho das Irmãs.

A Eucaristia teve início às 17h00. Após a celebração, decorreu um lanche-convívio nos jardins e pátio do Carmelo, organizado pelas Irmãs, com o apoio de amigos e benfeitores. Este encontro incluiu ainda a projeção de um vídeo sobre a história da fundação e um cálido momento musical com harpa.

As comemorações clausuraram esta amanhã, dia 13 de Julho, data da fundação do Carmelo. À solene Eucaristia de acção de graças e clausura do jubileu presidiu o Padre Provincial, Frei Vasco Nuno, e foi concelebrada por vários sacerdotes diocesanos, consagrados e consagradas da Diocese do Algarve, religiosos e sacerdotes carmelitas, bem como os seculares de Tavira e Faro.

A fundação do Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo, ocorreu a 13 de julho de 1976, com onze irmãs carmelitas descalças. Quatro anos depois de as irmãs carmelitas terem vindo para Faro, o então bispo do Algarve, D. Ernesto Costa, benzeu, a 15 de outubro de 1980, o mosteiro e sagrou o altar da sua capela. Até aí a comunidade carmelita vivia nos anexos da igreja do Carmo, em plena cidade de Faro.

Ajudando os pedreiros e demais trabalhadores, as irmãs carmelitas colaboraram na construção do seu mosteiro do Patacão, e ali, no recato daquela localidade, a poucos quilómetros da capital algarvia, se instalaram.

Tal como no início do jubileu (há um ano), ao concluir esta caminhada de louvor e acção de graças as Irmãs Carmelitas Descalças dizem que: «desejamos estar juntas, em oração, que é a nossa primeira missão na Igreja, como filhas de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz». Juntas em oração, isto é: «juntas nas múltiplas formas de oração: celebrando ao ritmo da Liturgia por todos e com todos; meditando e contemplando ao ritmo das várias meditações e da beleza da música e do canto; crescendo em fraternidade pelo encontro pessoal, para partilharmos os diferentes estados de vida nesta querida Igreja do Algarve».

Na sua homilia, o Padre Vasco Nuno, referiu: «Poderíamos pensar que a vida escondida de um mosteiro carmelita pouco altera o curso dos acontecimentos históricos. Contudo, a lógica do Evangelho é diferente da lógica do mundo. Deus realiza as suas maiores obras através daquilo que, muitas vezes, permanece invisível. A luz que ilumina não faz ruído, simplesmente alumia o andamento do dia.
Ao longo destas décadas, quantas intenções, quantos sofrimentos, quantas alegrias e esperanças de homens e mulheres desta Diocese passaram pelo coração orante destas Carmelitas do Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo! Quantas vezes, sem serem vistas, sustentaram com a sua oração a missão da Igreja, a perseverança dos sacerdotes, a fidelidade das famílias, a generosidade das vocações! A sua presença tem sido como aquela luz discreta de que fala Isaías: silenciosa, mas real; escondida, mas fecunda».

De facto, continuou: «a existência de um Carmelo é uma bênção para toda a Igreja. É um testemunho vivo de que Deus merece ser procurado por Si mesmo; de que a oração não é perda de tempo; de que a adoração não é evasão da realidade, mas a forma mais profunda de a servir; de que o amor de Cristo é suficientemente grande para preencher uma existência inteira».

E por último referiu: «Cinquenta anos depois da fundação deste Carmelo, contemplamos com gratidão, a obra que Deus realizou através da disponibilidade generosa das onze fundadoras. Sobre os alicerces da sua fé, da sua coragem, dos seus sacrifícios escondidos e da sua perseverança quotidiana foi sendo edificada esta comunidade contemplativa, que permanece como um dom precioso para a Igreja do Algarve. O senhor vos recompense».
E pois, que a estes sucedam outros cinquenta anos.

Graças a Deus.