A nossa época precisa de testemunhas de esperança, beleza e verdade: com o vosso trabalho artístico, vós podeis sê-lo. Recuperar a autenticidade da imagem para salvaguardar e promover a dignidade humana está no poder do bom cinema e dos seus autores e protagonistas. Não tenhais medo do confronto com as feridas do mundo. A violência, a pobreza, o exílio, a solidão, as dependências, as guerras esquecidas são feridas que pedem para serem vistas e narradas. O grande cinema não explora a dor: acompanha-a, investiga-a. Foi isto que fizeram todos os grandes cineastas. Dar voz aos sentimentos complexos, contraditórios e às vezes obscuros que habitam o coração do ser humano é um ato de amor! A arte não deve evitar o mistério da fragilidade: deve ouvi-lo, deve saber parar diante dele. Sem ser didascálico, o cinema contém em si, nas suas formas autenticamente artísticas, a possibilidade de educar o olhar.


