Cântico Espiritual (24)
Esposa Nosso leito floridoCom grutas de leões entrelaçado,De púrpura tecido,De paz edificado,De mil escudos de oiro coroado.
Na nossa família de Carmelitas Descalços o ano de 2026 será ano jubilar. No próximo ano celebram-se os trezentos anos da canonização de São João da Cruz e o centenário do seu doutoramento eclesial.
Esposa Nosso leito floridoCom grutas de leões entrelaçado,De púrpura tecido,De paz edificado,De mil escudos de oiro coroado.
Sob a macieira entãoAli comigo foste desposada,Ali te dei a mãoE foste reparadaLá onde tua mãe foi violada.
Entrada foi a esposaNaquele ameno horto desejadoE a seu gosto repousa,O colo reclinadoSobre os tão doces braços do Amado.
Pelas amenas lirasE canto de sereias vos conjuroQue cessem vossas irasE não toqueis no muroPara um sono da esposa mais seguro.
Esposo Às aves bem ligeiras,Leões, veados, gamos saltadores,Montes, vales, ribeiras,Águas, ventos, ardoresE receios das noites veladores.
Esconde-Te, ó Amado,Volta o teu rosto para as montanhas;Ficando-Te calado;Mas vê bem as companhasDa que se vai por ínsulas estranhas.
Ó ninfas da Judeia,Em tanto que das flores e rosaisO âmbar nos rodeia,Vivei nos arrabaisE não queirais tocar nossos umbrais!
Sê, Norte, um vento morto!Vem, Austro, que recordas os amores!Aspira por meu hortoDerrama teus odoresE pascerá o Amado entre as flores!
Caçai-nos as raposasQue está já florescida nossa vinhaEnquanto nós com rosasFazemos uma pinhaE ninguém deste monte se avizinha.
A noite sossegadaJá quando vem o anúncio da aurora,A música calada,A solidão sonora,A ceia que recreia e que enamora.