Convém saber que o apetite é a boca da vontade,
a qual se dilata quando com qualquer bocado de algum gosto se não embaraça nem se ocupa;
porque, quando o apetite se fixa em alguma coisa, nisso mesmo se estreita,
pois fora de Deus tudo é estreito.
E assim, para acertar a alma a ir a Deus e juntar-se com Ele,
há-de ter a boca da vontade somente aberta para o mesmo Deus,
vazia e desapropriada
de todo bocado de apetite, para que Deus a encha
e farte do seu amor e doçura,
estando com essa fome e sede de Deus só, sem querer satisfazer-se com outra coisa,
pois não pode aqui saborear a Deus como é;
e o que se pode saborear – se apetite, digo –, também o impede.
Carta 13


