Queridos irmãos e irmãs da Família Carmelita – frades, monjas, seculares, membros dos grupos de oração teresiana e todos quantos, de múltiplas formas, partilham o carisma do Carmelo:
Na Solenidade de Nossa Senhora do Carmo, uno-me a cada um e cada uma de vós com o coração agradecido e fraterno, para elevar convosco ao Senhor uma acção de graças pelo dom da nossa vocação e pela presença materna de Maria no caminho da nossa vida pessoal, familiar e comunitária.
Hoje, escrevo-vos como Superior Provincial, mas, sobretudo, como irmão entre irmãos, peregrino da mesma esperança, filho da mesma Mãe e participante da mesma graça que, desde há séculos, faz florescer no mundo o espírito do Carmelo. Desejo, por isso, dirigir-me a todos com simplicidade e verdade, deixando-me também eu interpelar pela mensagem que esta Solenidade nos oferece.
Ao contemplarmos Nossa Senhora do Carmo, vemos a Padroeira que veneramos, sim; e contemplamos maravilhados a Mulher que escuta, que guarda e acolhe no coração a Palavra, permanecendo, inteiramente, disponível à vontade de Deus. Nela, descobrimos a síntese perfeita do ideal carmelita: uma vida centrada em Deus, alimentada pela oração, moldada pelo silêncio interior e traduzida numa caridade concreta e generosa em favor dos nossos irmãos.
Neste tempo que nos é dado como regalo e dom, marcado, porém, por tantas inquietações, dispersões e incertezas, Maria convida-nos a regressar ao essencial. Anima-nos a subir, novamente, insistentemente, o monte da interioridade para aí encontrarmos Aquele que dá sentido a todas as coisas. Chama-nos a renovar a nossa confiança em Deus, mesmo quando os horizontes parecem obscurecidos e os frutos do nosso trabalho tardam em aparecer. Mesmo quando o cansaço nos recomenda desistência.
A Festa do Carmo é, também, uma ocasião privilegiada para nos perguntarmos até que ponto o nosso modo de viver manifesta realmente a beleza do Evangelho e a riqueza do carisma que recebemos. Somos chamados a ser homens e mulheres de oração, mas também homens e mulheres de comunhão; pessoas enamoradas de Deus, mas, igualmente, próximas dos irmãos e irmãs; contemplativos que sabem reconhecer a presença do Senhor nas alegrias e sofrimentos da humanidade.
Sinto que esta interpelação me é dirigida em primeiro lugar. Também eu sou convidado a renovar, diariamente, o meu «sim», a deixar-me transformar pela Palavra, a crescer em disponibilidade para o serviço e a cultivar um coração cada vez mais fraterno. A maternidade espiritual de Maria é um dom que agradecemos e celebramos, é uma escola de ternura onde todos continuamos a aprender permanentemente.
A todos convido, por isso, que nesta Solenidade nos sintamos verdadeiramente uma só família, unida bem para além das distâncias geográficas, das diferentes formas de vida e das diversas missões que realizamos. Que a riqueza das nossas vocações não seja motivo de separação, mas expressão da multiforme beleza do Espírito que actua no Carmelo!
Confiemos a Nossa Senhora do Carmo as nossas comunidades, as nossas fraternidades, os nossos idosos e doentes, os jovens em discernimento, as famílias, os benfeitores e todos quantos se recomendam às nossas orações! Peçamos-lhe que nos acompanhe, nos preserve na fidelidade ao Evangelho e nos ajude a permanecer sempre junto de Cristo, fonte e meta da nossa esperança!
Que Maria, Irmã, Mãe e Rainha do Carmelo, nos ensine a viver com um coração contemplativo, humilde e disponível; que nos conduza cada vez mais a seu Filho; e a sua protecção materna nos fortaleça no caminho da santidade e da missão!
A todos, desejo uma santa e feliz Solenidade de Nossa Senhora do Carmo!
Paternalmente e em comunhão de oração,
P. Vasco Nuno,
Provincial e vosso irmão no Carmelo


