Venerável Frei Lourenço da Ressurreição, uma chave de Leão XIV

Na viagem de regresso para Roma, vindo do Líbano, o Papa Leão XIV surpreendeu os jornalistas ao contar que a chave que melhor ajuda a compreender a sua espiritualidade pessoal é o livro «Prática da presença de Deus», do nosso pequenino irmão carmelita descalço (séc. XVII), Frei Lourenço da Ressurreição.

Leão XIV contou que a sua forma simples de rezar o acompanhou nos seus anos mais difíceis, incluindo o tempo de missão no Peru, aos tempos do terrorismo; e reafirmou que a confiança quotidiana na orientação de Deus continua a ser para ele uma bússola interior.

Frei Lourenço foi cozinheiro e sapateiro no seu convento de mais de cem frades carmelitas descalços, nunca descuidou os deveres das suas humildes tarefas, conjugando-as sempre com a atenção aos pobres e, dizia, «descobri Deus presente no meio das tarefas mais humildes e aparentemente menos espirituais». Confessava que, às vezes, passava longos momentos sem pensar em Deus, mas assim que se lembrava, virava o coração para Ele com simplicidade.

A sua ermida de oração não estava num retiro escondido, mas no interior do seu coração. Do mesmo modo o seu Monte Carmelo não era um monte de belas paisagens, mas um cume interior onde a alma se abria à luz da fé.

Percorrendo, nós, os trilhos deste Advento, saibamos viver neste mundo apressado e complexo, tal como viveu este nosso irmão carmelita descalço, para quem a presença de Deus é acessível a cada instante. De notar que esta vivência não se trata de fazer coisas extraordinárias, mas sim de fazer cada coisa com amor: «se na frigideira viras uma tortilha, vira-a com amor!», dizia – porque é assim que se transforma a nossa vida apressada num espaço onde Deus e o nosso coração se encontram!

Feliz Advento.