Veneração pública do corpo de Santa Teresa de Jesus

O corpo incorrupto de Santa Teresa de Jesus foi novamente exposto à veneração pública, facto que se iniciou no dia 11 de maio de 2025 e se prolongará até ao próximo dia 25, na Basílica da Anunciação de Nossa Senhora do Carmo do Carmelo de Alba de Tormes. O túmulo havia sido aberto a última vez há 111 anos.

O acto, organizado pela Província de Santa Teresa e por aquele Carmelo oferece acesso diário ininterrupto, desde as 9:00 locais até às 22:00, num ambiente propício para a contemplação, a oração e o encontro espiritual. Acompanhando a exposição do corpo mumificado da Santa, foi preparado um alargado programa litúrgico-espiritual em torno à figura da Santa Madre.

Santa Teresa de Jesus morreu no dia 4 de outubro de 1582, em Alba de Tormes, aos 67 anos de vida. No dia 28 de Agosto e 2024, o postulador geral da Ordem dos Carmelitas Descalços, Padre Marco Chiesa, informou que o túmulo de Santa Teresa havia sido aberto e «verificámos que se encontra nas mesmas condições em que foi aberto, pela última vez, em 1914».

O evento teve lugar no âmbito do reconhecimento canónico dos restos mortais de Santa Teresa de Jesus, solicitado ao Vaticano, no dia 1 de julho de 2014, pelo bispo de Salamanca, D. Jose Luis Retana, com autorização concedida pelo Papa Francisco.

Por sua vez, o padre Miguel Ángel González, prior carmelita de Alba de Tormes e Salamanca explicou como foi realizado o procedimento: «A comunidade das madres carmelitas descalças, juntamente com o postulador geral da ordem, os membros do tribunal eclesiástico e um pequeno grupo de religiosos, transportaram os relicários com rigor e solenidade para o lugar destinado ao estudo. Fizemo-lo cantando o Te Deum com o coração cheio de emoção».

O corpo de Santa Teresa foi depois estudado em dois momentos. Num primeiro momento, em Alba desde o dia 28 a 31 de agosto de 2024, posteriormente, em Itália, por uma equipa científica.

No primeiro momento, o túmulo foi aberto na presença de um tribunal eclesiástico e para isso usaram-se as 10 chaves que o acto obriga para abrir o túmulo: «As três que se guardam em Alba de Tormes, as três que o duque de Alba lhes emprestou, as três que o Padre Geral dos Carmelitas Descalços guarda em Roma, além da chave do rei. Três destas chaves são para abrir a grade exterior, três para abrir o túmulo de mármore e as outras quatro para abrir o caixão de prata».

Neste processo de estudo, além do corpo, incluiu-se o coração, um braço e uma mão, esta última conservada na cidade espanhola de Ronda. O corpo apresenta-se mumificado, tal como foi registado pela Diocese de Ávila, aquando da anterior abertura do túmulo de Santa Teresa de Jesus, nos dias de 16 a 23 de agosto de 1914. Nessa altura, a Diocese declarou que o corpo se mantinha «completamente incorrupto», tal como aconteceu na abertura de 1750. A razão da abertura do túmulo em 1914 tem a ver com o facto do superior geral dos Carmelitas Descalços, padre Clemente de los Santos, querer aproveitar a sua visita canónica a Espanha para ver os corpos dos santos fundadores: São João da Cruz, em Segóvia, e Santa Teresa, em Alba de Tormes.

Segundo as redes sociais da Província de Santa Teresa, promovendo a sua vivência em comunidade, esta abertura procura evidenciar o seu legado espiritual, além de ser «uma oportunidade única para o encontro com um testemunho silencioso, porém, vivo, da Santa».

A abertura da veneração pública do corpo de Santa Teresa teve lugar com a celebração duma missa solene, no passado domingo, dia 11 de maio, presidida pelo bispo de Salamanca, D. Jose Luis Retana e concelebrada pelo Provincial da Província de Santa Teresa, Frei Francisco Oreja, o prior dos Carmelitas Descalços de Alba, Frei Miguel Ángel González; estiveram ainda presentes o Presidente da Junta de Castilla e León, Alfonso Fernández Mañueco; o Conselheiro da Cultura, Gonzalo Santonja, e a presidente da Câmara de Alba de Tormes, Concepción Miguélez.

Estiveram presentes também além da comunidade das Carmelitas Descalças locais, as custódias do imenso relicário de Alba, muitos vizinhos e peregrinos.

Ontem, dia 12 de maio, o Padre Provincial dos Carmelitas Descalços de Santa Teresa presidiu na mesma basílica a uma missa solene, concelebrada pelo provincial de São Joaquim de Navarra, o representante do Provincial de Portugal, por duas dezenas de Irmãos Descalços, muitas Carmelitas Descalças de vários Carmelos de Castela, vários Seculares e pperegrinos, entre os quais um colégio católico de Lisboa.

Disse-nos o Padre Francisco Oreja na sua homilia: «A veneração das relíquias do corpo de Santa Teresa não nos deve distrair, mas aproximar-nos de Jesus Cristo, de quem elas estão cheias. As relíquias são apenas sinais pobres e frágeis do que foi o seu corpo, porém, através destes sinais Deus quer manifestar-nos a sua presença, o seu poder e a sua glória. Estas relíquias manifestam também a nossa fé na Ressurreição. ´Estes vestígios´ são apenas sinais sensíveis da nossa ´futura transfiguração corporal´. Transmitamos esta mensagem aos peregrinos que se aproximem desta casa».

Que os próximos tempos, especialmente até ao dia 25 de maio, quando ocorrerá o encerramento da veneração pública, possam ser vividos segundo as virtudes evangélicas de nossa Mãe, a Santa Andariega, em especial, a simplicidade.