Corria o ano da graça de 2021 e D. Pietro Botros Fahim, durante décadas bispo copto católico renunciou à sua diocese de Minya, no Egipto. A notícia surpreendeu a muitos dos seus diocesanos, mas não aos seus irmãos bispos nem ao seu Patriarca, pois que havia muito era conhecida a sua profunda inclinação para a vida contemplativa. Estava a sua escolha feita em seu coração havia muito tempo – o Carmo Descalço de Santa Teresa e São João da Cruz –, pelo que apenas ia sendo protelada por razões pastorais.
Crê-se que a Igreja copta, ou egípcia, foi estabelecida por São Marcos, apóstolo e evangelista, em meados do século I (c. 42).
Os primeiros cristãos do Egito eram principalmente judeus de Alexandria, tais como Teófilo, a quem São Lucas dirige o capítulo introdutório do seu evangelho. Quando a Igreja foi fundada, durante a época do imperador romano Cláudio, um grande número daqueles abraçou a fé cristã. E a Igreja espalhou-se pelo Egito em poucas décadas.
A Igreja Católica Copta é hoje uma Igreja particular em plena comunhão com a Igreja Católica. Isto quer dizer que ela, nunca abandonando as suas veneráveis tradições e ritos litúrgicos orientais, aceita a autoridade e primazia do Papa. Unida formal e oficialmente à Santa Sé em 1741, o seu rito litúrgico é o rito alexandrino copta. A sua língua litúrgica é o copta. Desde 2013, esta Igreja oriental é governada pelo Patriarca copta Ibrahim Isaac Sidrak, juntamente com o seu sínodo, mas sempre sob a condução do Papa.
Em 2007, a Igreja Católica Copta tinha cerca de 162 mil fiéis, concentrados na sua esmagadora maioria na Região Norte do Egito. A sua sede localiza-se no Cairo (Egipto).
Foi, pois, neste contexto, que o bispo de Mynia pediu ao seu Patriarca para ingressar na família do Carmo Descalço, o que veio a suceder no ano pastoral de 2022-2023, com a sua entrada no Noviciado da Ordem, sediado no Santo Deserto de Les Palms, Castellón, Valência, em Espanha, onde era mestre de noviços Frei Vasco Nuno do Mensageiro, actual Provincial de Portugal.
Continuando a sua formação de Carmelita Descalço, e porque era frade da Província da Itália Central, foi seu formador o P. Saverio Cannistrà, recém-saído do generalato da Ordem.
A notícia que nos alegra registar é que no passado domingo, aquando da sagração episcopal do P. Saverio, um dos bispos consagrantes foi, precisamente, D. Pietro Botros, o antigo discípulo do novo arcebispo de Pisa.
Pouco depois, no dia do Apóstolo São Matias, dia 14 de março, pela manhã, Frei Pietro foi recebido, no contexto do jubileu das Igrejas orientais, junto com milhares de fiéis daquelas Igrejas pelo papa Leão XIV.
Naquela ocasião, o Pontífice, disse-lhes: «Sois preciosos! Olhando para vós, penso na variedade das vossas proveniências, na história gloriosa e nos amargos sofrimentos que muitas das vossas comunidades padeceram ou padecem.
[…] A Igreja precisa de vós! Como é grande a contribuição que o Oriente cristão nos pode oferecer hoje!».


