Cântico Espiritual (3)
Buscando os meus amores,Irei por esses montes e ribeiras;Não colherei as floresNem temerei as ferasE passarei os fortes e as fronteiras!
Buscando os meus amores,Irei por esses montes e ribeiras;Não colherei as floresNem temerei as ferasE passarei os fortes e as fronteiras!
Pastores, se subirdesAlém pelas malhadas ao outeiroE porventura virdesAquele a quem mais quero,Dizei que sofro, peno e a morte espero!
Sobre a margem das correntesQue em Babilónia encontravaLá eu me sentei chorandoE ali a terra regavaRecordando-me de ti,Ó Sião, a quem amava;Tua lembrança era doceE com ela mais chorava.Deixei os trajes de festa,Os de trabalho tomavaE pendurei nos salgueirosA música que levava,A depondo na esperançaDo que de ti esperava.Ali me feriu o amorE o coração
Romance sobre o salmo “Super flumina Babylonis” Continuar a ler »
Sobre o nascimento Já sendo chegado o tempoEm que de nascer havia,Assim como desposadoDo seu tálamo descia,Abraçado à sua esposa,Que em seus braços a trazia;O qual a Mãe graciosaEm um presépio estendia,No meio de uns animaisQue na altura ali havia.Diziam cantos os homensE os anjos melodiaFestejando os esponsóriosQue entre aqueles dois havia:Deus, porém, nesse presépioAli
Continua Chamou então um arcanjoQue Gabriel se diziaE enviou-o a uma donzelaQue se chamava Maria,De cujo consentimentoO mistério se fazia;Na qual a Suma TrindadeDe carne o Verbo vestia.E embora de três a obra,Somente num se fazia;Ficou o Verbo encarnadoEm o ventre de Maria.E o que tinha apenas Pai,Também já Mãe possuía.Porém não como qualquerQue de
Continua a Encarnação Já que o tempo era chegadoEm que fazer-se deviaO resgate da esposaQue em duro jugo serviaDebaixo daquela leiQue Moisés dado lhe havia;O Pai com amor bondosoDesta maneira dizia:«Já vês, Filho, à tua imagemTua Esposa eu a faziaE no que a ti se pareceContigo bem condizia;Difere, porém, na carneQue em teu ser não
Continua Em estes e outros rogosMui tempo passado havia;Porém nos últimos anosO fervor muito cresciaQuando o velho SimeãoEm desejo se acendia,Rogando a Deus que quisesseDeixá-lo ver este dia.E assim o Espírito SantoAo bom velho respondia:Sua palavra lhe davaQue ele a morte não veriaAté que chegasse a vidaQue do alto desceria,E que ele nas próprias mãosAo
Continua Com esta boa esperançaQue do alto lhes descia,O peso dos meus trabalhosMais leve se lhes fazia;Porém a larga esperançaE o desejo que cresciaDe gozar-se com o EsposoDe contínuo os afligia.Por isso, com orações,Com suspiros e agonias,Com lágrimas e gemidosLhe rogavam noite e diaQue já se determinasseA fazer-lhes companhia.Uns diziam: «Ó se fosseEm meu tempo
Continua «Faça-se pois, disse o Pai,Teu amor o merecia».E neste dito que disseO mundo criado havia.Um palácio para a esposaFeito em gră sabedoria,O qual em dois aposentos,Alto e baixo, dividia.O baixo, de diferençasInfinitas construía;Mas o alto aformoseavaDe admirável pedraria.Para que conheça a EsposaO Esposo que possuía,Lá no alto colocavaA angélica hierarquia;Mas a natureza humanaEra em