Dito 61
Não julgues que, por não luzirem no outro as virtudes que tu pensas, não será ele precioso aos olhos de Deus pelo que tu não pensas.
Não julgues que, por não luzirem no outro as virtudes que tu pensas, não será ele precioso aos olhos de Deus pelo que tu não pensas.
Procura não te imiscuíres em coisas alheias, nem sequer te lembres delas, porque quiçá não poderás cumprir o que tens a fazer.
No entardecer examinar-te-ão no amor. Aprende a amar como Deus quer ser amado e não olhes à tua condição.
Não penses que trabalhar muito agrada mais a Deus do que fazê-lo com boa vontade, sem apegos e respeitos humanos.
O caminho da vida é de muito pouco barulho e pretensão, e requer mais mortificação da vontade do que muito saber. Quem menos se agarrar às coisas e aos gostos, mais avançará por ele.
Não é da vontade de Deus que a alma se perturbe com coisa alguma nem que sofra amarguras; e, se as sofre com as contrariedades do mundo, isso deve-se à sua pouca virtude, porque a alma perfeita alegra-se naquilo em que a imperfeita se atormenta.
Como quem puxa um carro encosta acima, assim caminha para Deus a alma que não se liberta de cuidados nem apaga o apetite.
Lembra-te que Deus é inacessível e, por isso, não te deves concentrar no que as tuas potências podem compreender e os teus sentidos sentir, a fim de não te satisfazeres com o mais inferior nem a tua alma perder a necessária ligeireza no caminho para Ele.
Não poderá chegar à perfeição quem não procura satisfazer-se com tão pouco, de modo que a concupiscência natural e espiritual estejam satisfeitas mesmo sem nada; aliás, é o que se pede para gozar da suma tranquilidade e paz de espírito. É assim que o amor de Deus, na alma pura e simples, está quase permanentemente