Irmã Belén de la Cruz, jovem carmelita descalça espanhola, avança rumo aos altares

Belén Pery Osborne nasceu em Cádis, em 1984, no seio de uma família acomodada e profundamente unida. Durante a sua infância e juventude, e por causa do trabalho de seu pai, viveu em diferentes cidades espanholas. Foi em Madrid onde a sua vida espiritual começou a amadurecer com força.

Apaixonada pelo desporto e pela vida ao ar livre, chegou a ser campeã de golfe da Andaluzia. Gostava de desporto, não gostava de competir. Um dia venceu uma competição, mas na foto dos vencedores estão todos menos ela! Numa noite de festa com amigos, descobriu que o seu lugar não estava naquele ambiente, mas na vida contemplativa. Longe de a pressionar ou travar, os seus pais apoiaram a sua decisão de se consagrar a Deus.

Em 2005 entrou no mosteiro de Carmelitas Descalças de San Calixto (Córdoba), próximo da casa familiar. Ao início, tudo lhe custou viver. Porém, durante os doze anos que viveu no mosteiro, Belén desenvolveu uma profunda vida interior que impactou aqueles que a conheciam.

Aos 30 anos, Belén foi diagnosticada com câncer, mas sem nunca perder a paz e a alegria, viveu convencida de que aquela cruz fazia parte do plano de Deus para sua vida, enfrentando aquela provação com uma serenidade que impressionou quantos a rodeavam.

A Irmã Belén da Cruz faleceu em 2018, sem possuir praticamente nada: «Morreu revestida com seu hábito de carmelita descalça».

Após sua morte, a família começou a recolher as suas cartas que a Irmã Belén havia enviado a amigos, familiares e conhecidos: eram quase duzentas cartas, que revelavam a profundidade espiritual de seus conselhos e a sua capacidade para acompanhar aqueles que atravessavam dificuldades. A partir deste acervo, os seus pais publicaram em 2023 o livro «Belén, carmelita descalça, nossa filha», onde recolhem testemunhos e reflexões da jovem religiosa. E concluem: «Belén escolheu a cruz como parte de seu nome religioso porque para ela era uma luz e um bem»; ela «não ficou à sua sombra, abraçou-se a ela».