Mais de três séculos, quarenta dias e vinte e três igrejas

Cada terra com seu uso. E ainda que os usos possam assemelhar-se, a geografia, o génio, a disponibilidade e a força de cada um e de todos, torna-os particulares.

Quaresma em Braga é assim: Aspereza e dureza; júbilo, encanto, encontro, louvor, adoração e flores. Aspereza e dureza de quem faz caminhos, abre caminhos, remenda caminhos que as tempestades invernias da vida abalroam. E é júbilo, encanto, encontro, louvor, adoração e flores porque ao longo dos quarenta dias da Quaresma a cidade peregrina de uma em uma, pelas vinte e três igrejas do burgo. Há quem só vá à sua, há quem peregrine a todas; ou só a algumas, quando a agenda o permite. Sim, muitos são os que sentindo a dureza quaresmal, desde há trezentos e dezasseis anos, vão de porta em porta, de altar em altar, de custódia em custódia, com encanto e louvor, para encontrar-se em louvor perene com o Senhor que, afinal, nos anda recolhendo pelos caminhos.

O Lausperene. Ah, que silêncio maravilhoso! Que graça! Que delicadeza do nosso Deus para connosco!

Este ano os nossos bispos constituíram-se, connosco, peregrinos do Sagrado Lausperene Quaresmal. E foi assim que, no dia 16 de março, dia em que ocorria o 165º aniversário da Páscoa do Santo Fradinho, aqui ao Carmo do Fradinho peregrinou o Senhor Arcebispo D. José Cordeiro e, no dia 17 de março, o Senhor D. Delfim Gomes, bispo auxiliar de Braga.

Que graça e que bênção poder tê-los guiando-nos para o encontro com Jesus, eterna nascente da água fresca que nos dessedenta! Daqui a nada é Páscoa. E outro tanto, vemo-nos todos no céu, em louvor perene. Outra coisa Deus não quer. Caminhemos.

Laus Deo. Consintamos com Deus.