Chegados a este momento da celebração das exéquias do Padre Alpoim, cabe-me, em meu nome e em nome da Ordem dos Carmelitas Descalços, agradecer a presença amiga, orante e fraterna de todos vós. Com particular afecto, agradeço ao Senhor Dom Vitorino Soares ter presidido a esta celebração em nome da Diocese e do Senhor Dom Manuel Linda, bispo do Porto.
Certamente que o que aqui nos congregou foi a fé no Senhor ressuscitado e a relação de amizade de cada um e cada uma com o Padre Alpoim. Estou certo que, nalgum momento, a cada um de nós, ele nos arrebatou de forma diferente e sempre nova: pela sua alegria e boa disposição; pela música e canto; pelo acolhimento e afabilidade; pela sua oração e espiritualidade; pelo seu espírito de serviço, de entrega e entusiasmo dinâmico em prol da Igreja, da Província e da nossa Ordem.
Padre Alpoim,
unido, enquanto Provincial, a todos os Irmãos da nossa Província, e creditado pelas tuas Irmãs dos nossos Carmelos e por tantos Seculares Carmelitas, quero, hoje, sublinhar, aclamar e dar graças a Deus pela tua alma de verdadeiro consagrado; quero agradecer a Deus por teres sido um inteiro Carmelita Descalço enamorado do carisma de Santa Teresa e da espiritualidade da nossa família religiosa; quero agradecer a Deus a tua vida sacerdotal e carmelita vivida quase só, mas intensa e incansavelmente, neste cume do Monte Carmelo que é Avessadas, porém sempre pronto a partir daqui, apressadamente, para difundires, ao longe e ao largo, a espiritualidade da oração e da união com Deus, através de tantas iniciativas pastorais ao longo de tantos e tão intensos anos de vida!
Se existem pessoas de quem se pode dizer que viveram o quotidiano com fulgor de infinito, com semente de divino, com desassombro, na intimidade com Deus, a tal ponto de serem «contemplativas na acção», tu, Padre Alpoim, és uma delas: porque tu não desbarataste a vida; tu não te deixaste conduzir nem pela inércia nem pela rotina; tu não deixaste que o peso da vida tomasse conta de ti, nem que o stress te invadisse o quotidiano do coração. Antes, com determinação e audácia determinada, deste a solenidade que cada momento da vida merecia; viveste unido Àquele que é a vida verdadeira e dá sentido a tudo o que vivemos (ou não fosses tu um carmelita!…); soubeste colocar intensidade interior, fulgor espiritual, tensão evangélica em tudo o que, ao longo do dia, te era dado viver.
Alegre na esperança, viveste a felicidade que comporta cada momento presente – tal é a riqueza que possuímos. Colocaste o passado na misericórdia divina e o futuro entregaste-o à Sua providência, sabendo que o sofrimento, as mil e uma circunstâncias difíceis da vida, são um verdadeiro tesouro, se mergulhadas em Cristo, se assumidas com audácia evangélica!
Termino. Em meu nome e no nome dos meus confrades, bem como da sua família de sangue aqui presente (irmãs, sobrinhos, cunhado…) quero, deixar ainda, um sentido e profundo agradecimento ao Padre André e à enfermeira Julieta Palma, que, de noite e de dia, a todas as horas, até ao último minuto, não tiveram mãos a medir nas atenções e cuidados a prestar ao Padre Alpoim. O mesmo agradecimento à comunidade e a toda a equipa que auxilia esta casa, bem como aos médicos e enfermeiros do hospital Padre Américo em Penafiel.

Caro irmão Padre Alpoim:
desde a casa do Pai, olha por esta Província de Carmelitas Descalços que tanto amaste! Tu conhece-la bem! Tu bem sabes do que ela precisa! Reza por nós no Céu, Padre Alpoim!
Que a tua intercessão no Céu se junte à de todos os Santos e Santas da nossa família de Carmelitas Descalços e, juntos, alcançai-nos a graça da conversão e da renovação, da fidelidade e da salutar convicção da presença de Deus que nos interpela no tecido existencial de cada dia!
P. Vasco Nuno, Prov. Santuário do Menino Jesus de Praga e fevereiro 10, 2025


