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   Casa de Oração

 

Ordem dos Padres Carmelitas Descalços em Portugal

   
 

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«Orar é um diálogo
de amigos,
estando muitas vezes
a sós, com quem sabemos
que nos ama.
»

(Santa Teresa de Jesus)

 

Casa de Oração

Tenho tempo, Senhor

  

Saí, Senhor.

Lá fora os homens saíram.

Iam,

Vinham,

Andavam,

Corriam.

As bicicletas corriam,

Os camiões corriam,

A rua corria.

Todo o mundo corria.

Corriam todos, para não perder tempo:

Corriam no encalço do tempo,

            Para recuperar o tempo,

            Para ganhar tempo.

 

Até logo, (...)

Gostaria de rezar — mas... não tenho tempo.

Compreendes, Senhor, eles não têm tempo.

A criança está a brincar, não tem tempo agora... mais tarde...

O estudante tem os seus deveres a fazer, não tem tempo...

Mais tarde...

(...)

O que casou, há pouco tempo, tem a sua casa, deve organizá-la,

Não tem tempo... mais tarde...

O pai de família tem os seus filhos, não tem tempo... mais tarde...

Os avós têm os seus netos, não têm tempo... mais tarde...

Estão doentes. Precisam de tratar-se... não têm tempo... mais tarde...

Estão à morte, não têm tempo...

Tarde de mais... já não têm tempo.

Assim correm todos os homens atrás do tempo, Senhor.

Passam correndo pela Terra,

            Apressados,

            Atropelados,

            Enlouquecidos,

            Assoberbados.

Nunca chegam, falta-lhes tempo,

Apesar de todos os esforços, falta-lhes tempo.

Falta-lhes mesmo muito tempo.

Com certeza, Senhor, erraste os cálculos.

Há um engano geral:

Horas curtas de mais,

Dias curtos de mais,

Vidas curtas de mais.

Tu que estás fora do tempo, Senhor,

Sorris ao ver-nos brigar com ele,

E sabes o que fazes..

Não te enganas quando distribuis o tempo aos homens,

A cada um dás o tempo de fazer o que queres que faça.

Mas é preciso não perder tempo,

            Não esbanjar tempo,

            Não matar o tempo.

Pois o tempo é um presente que nos dás.

Presente perecível,

Um presente que não se conserva.

 

Tenho tempo, Senhor,

Tenho todo o meu tempo.

Todo o tempo que me dás,

            Os anos da minha vida, 

            Os dias dos meus anos,

            Os minutos dos meus dias.

 

São todos meus,

Cabe-me preenchê-los

            Tranquilamente,

            Calmamente,

Mas preenchê-los inteirinhos, até à borda,

Para os dar a Ti

      Para que da água sem sabor

faças um vinho generoso como outrora, em Caná,

fizeste para as bodas humanas.

 

Nesta noite eu te peço, Senhor, o tempo de fazer isto e depois aquilo,

Peço-te a graça de fazer, conscienciosamente, no tempo que me dás, o que faço.

 

(Michel Quoist)


 

 

 
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