De profundis
Deus meu eu vos espero,
Deus vinde a mim.
Deus, brotai no meu
peito,
eu não sou nada e a
desgraça cai sobre minha cabeça
e as palavras são
mentirosas e eu continuo a sofrer,
afinal o fio sobre a
parede escura.
Deus vinde a mim
e não tenho alegria e
minha vida é escura como a noite sem estrelas
e Deus por que não
existes dentro de mim?
por que me fizeste
separada de ti?
Deus vinde a mim, eu não
sou nada,
eu sou menos que o pó
e eu te espero todos os
dias e todas as noites,
ajudai-me, eu só tenho
uma vida
e essa vida escorre
pelos meus dedos
e encaminha-se para a
morte serenamente
e eu nada posso fazer
e apenas assisto ao meu
esgotamento em cada dia que passa,
sou só no mundo,
quem me quer não me
conhece, quem me conhece me teme
e eu sou pequena e
pobre,
não saberei que existi
daqui a poucos anos,
o que me resta para
viver é pouco
e o que me resta para
viver no entanto continuará intocado e inútil,
por que não te apiedas
de mim?
que não sou nada, dai-me
o que preciso.
Deus, dai-me o que
preciso e não sei o que seja,
minha desolação é funda
como um poço
e eu não me engano
diante de mim e das pessoas,
vinde a mim na desgraça
e a desgraça é hoje,
beijo teus pés e o pó de
teus pés,
quero me dissolver em
lágrimas,
das profundezas chamo
por vós
e nada responde
e meu desespero é seco
como as areias do deserto
e minha perplexidade me
sufoca, humilha-me, Deus,
esse orgulho de viver me
amordaça,
eu não sou nada,