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   Casa de Oração

 

Ordem dos Padres Carmelitas Descalços em Portugal

   
 

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«Orar é um diálogo
de amigos,
estando muitas vezes
a sós, com quem sabemos
que nos ama.
»

(Santa Teresa de Jesus)

 

Casa de Oração

De profundis

 

Deus meu eu vos espero, Deus vinde a mim.

Deus, brotai no meu peito,

eu não sou nada e a desgraça cai sobre minha cabeça

e as palavras são mentirosas e eu continuo a sofrer,

afinal o fio sobre a parede escura.

Deus vinde a mim

e não tenho alegria e minha vida é escura como a noite sem estrelas

e Deus por que não existes dentro de mim?

por que me fizeste separada de ti?

Deus vinde a mim, eu não sou nada,

eu sou menos que o pó

e eu te espero todos os dias e todas as noites,

ajudai-me, eu só tenho uma vida

e essa vida escorre pelos meus dedos

e encaminha-se para a morte serenamente

e eu nada posso fazer

e apenas assisto ao meu esgotamento em cada dia que passa,

sou só no mundo,

quem me quer não me conhece, quem me conhece me teme

e eu sou pequena e pobre,

não saberei que existi daqui a poucos anos,

o que me resta para viver é pouco

e o que me resta para viver no entanto continuará intocado e inútil,

por que não te apiedas de mim?

que não sou nada, dai-me o que preciso.

Deus, dai-me o que preciso e não sei o que seja,

minha desolação é funda como um poço

e eu não me engano diante de mim e das pessoas,

vinde a mim na desgraça e a desgraça é hoje,

beijo teus pés e o pó de teus pés,

quero me dissolver em lágrimas,

das profundezas chamo por vós

e nada responde

e meu desespero é seco como as areias do deserto

e minha perplexidade me sufoca, humilha-me, Deus,

esse orgulho de viver me amordaça,

 eu não sou nada,

das profundezas chamo por vós,

das profundezas chamo por vós,

das profundezas chamo por vós...».

Clarice Lispector — «Perto do coração selvagem». ed. Relógio d’ água.


 

 

 
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