Confiança até ao fim
Há alguns anos atrás
ocorreu um terramoto na Arménia. Morreram muitas
pessoas. Foi algo parecido ao que aconteceu em Novembro
passado na Colômbia. Passado o primeiro susto, um papá
que estava em casa no momento do terramoto, recordou-se
que o seu filho estava no colégio e saiu disparado para
o ir buscar. É que ele sempre tinha dito ao filho:
— ‘Aconteça o que
acontecer, tu não te preocupes: eu chegarei para te
ajudar’.
Quando chegou à escola
verificou que o edifício estava ruído. O pai pôs-se,
então, a chorar. Mas logo, sem desanimar, começou a
escavar, a escavar, a escavar... Entretanto, outros pais
se puseram a ajudá-lo. Mas estavam demasiado
desesperados, e disseram-lhe:
— ‘Deixa ficar... Já
chegamos muito tarde... Nada podemos fazer por eles’.
Chegaram também os
bombeiros e disseram ao pai que podia ir pois havia
perigo de incêndio e explosão, e eles mesmos (que eram
profissionais) fariam todo o trabalho. Mas aquele papá,
apenas repetia:
— ‘O senhor vai
ajudar-me ou fazer um discurso’?
Ninguém o quis ajudar.
Todos davam os filhos por perdidos. Na verdade, a escola
estava completamente desfeita. Mas aquele pai continuou
esgravatando, revirando destroços. Naquele azáfama
permaneceu 8..., 12..., 24..., 36 horas... E quando
levava 38 horas, completamente extenuado, ao retirar um
pedregulho ouviu a voz do seu filho e chamou com todas
as forças:
— ‘Armando! Armando!!
Armando!!!’
— ‘Papá? Sou eu! Estamos
aqui! Eu disse a todos os meninos que não se
preocupassem pois tu virias para me salvar e que se tu
me salvasses também os haverias de salvar a eles. Eu
contei-lhes que tu sempre me dizias:
— ‘Aconteça o que
acontecer, tu não te preocupes: eu chegarei para te
ajudar’. Tu chegaste, tu vieste salvar-me!
— Como estás?,
perguntou o pai.
— Aqui estamos quatorze
meninos dos 36 da turma. Temos muita fome e muito medo,
mas agora tu já estás connosco...
— Vamos, meu filho, sai
para fora; segura a minha mão que eu puxo-te!,
disse o pai. Mas o filho respondeu-lhe:
— ‘Não, papá;
disse o filho. Quero que saiam primeiros os outros
meninos, porque aconteça o que acontecer eu sei que tu
me hás-de tirar daqui!’