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«O melhor teólogo
é aquele que sabe
explicar a teologia
como Jesus Cristo:
por meio de contos,
sem conceitos,
através da vida,
como fazia Jesus com
as suas parábolas
e com os acontecimentos
da vida quotidiana.»
(Anthony de Mello)
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Contos
Água e fogo
O intrépido Governador de um país que no passado
tinha prosperado bastante andava inquieto porque os
negócios e o ambiente geral entre a população
degradaram-se, gerando descontentamento e
contestação. Por mais leis ou decretos que
proclamasse para corrigir o que aparentemente estava
errado, só piorava as coisas… Perturbado e
desiludido, o Governador retirou-se para os montes
afim de se aconselhar com um velho Sábio...
Encontrou-o sentado no chão a contemplar o vale à
sua frente; sentou-se ao seu lado e explicou-lhe a
situação, aguardando um conselho. Sem dizer palavra,
o Sábio levantou-se e com um pequeno sorriso fez um
gesto para o Governador o acompanhar...
Silenciosamente caminharam até à margem do rio e
molharam os pés; depois de tranquilamente olharem as
águas sentaram-se na margem e o Sábio preparou uma
fogueira... A pequena chama inicial rapidamente
alastrou fazendo com que as labaredas subissem muito
alto; ao anoitecer, a luz da fogueira iluminava tudo
em volta, ofuscando e criando sombras sinistras;
pela manhã a fogueira tinha-se extinguido e foi
então que o velho Sábio perguntou ao Governador:
- Compreendeu agora porque é que está incapaz de
trazer de novo ao seu país a prosperidade e a paz?
Perante o silêncio do Governador o Sábio continuou:
- Pense Governador, pense sobre a natureza do fogo
que inflamou e queimou tudo o que estava à nossa
frente… era forte, poderoso e as suas chamam
crepitantes subiram alto, dançaram e ofuscaram como
que se vangloriassem de algo… nenhum ser vivo pode
igualar essa força e era fácil ter conquistado tudo
à volta... apesar disso, pouco ou nada sobrou
dele... ficou apenas um punhado de cinzas porque
destruiu tudo à sua volta e tornou-se vítima da sua
própria destruição. Agora pense no rio… começou por
um pequeno fio de água lá nos montes... ás vezes
corre com suavidade, outras vezes com força mas,
corre sempre para baixo e vai alagando as terras no
seu percurso, contorna qualquer obstáculo e passa
por qualquer fenda porque é humilde na sua natureza,
gentil e essencial à vida... vai correndo, crescendo
e sustentando a vida de todos à sua volta em
direcção ao oceano, onde se junta ao imenso da sua
essência.
Depois de um momento de silêncio entre os dois
homens, o Sábio concluiu:
- Tal como na Natureza, o mesmo acontece com todas
as pessoas... Umas são como o fogo, orgulhosas,
poderosas e autoritárias e outras são como a água,
humildes mas possuidoras de um carisma tal que lhes
dá uma força interior tão grande, capaz até de mudar
e cativar corações de pedra... no seu silêncio, vão
dando vida e prosperidade a outros e correm sempre
ao encontro da plenitude dos oceanos e da paz...
pare para pensar Governador... tente compreender a
natureza dos outros como fez no inicio da
governação... Ouça o seu coração!
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