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Ordem dos Padres Carmelitas Descalços em Portugal

   
 

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«O melhor teólogo
é aquele que sabe
explicar a teologia
como Jesus Cristo:
por meio de contos,
sem conceitos,
através da vida,
como fazia Jesus com
as suas parábolas
e com os acontecimentos
da vida quotidiana.
»

(Anthony de Mello)

 

Contos

O peso da cruz

 

Um homem – cheio de fé cristã – fez um pedido e prometeu que carregaria uma cruz sobre os seus ombros, até a cidade mais próxima, afim de obter a graça. O nosso Amigo comprou madeira, fez a sua cruz e iniciou a jornada. Quando ia a meio do caminho, quase já sem forças e com os ombros ensanguentados, parou num vilarejo e viu uma pequena carpintaria que anunciava fabricar cruzes. Entrou e perguntou ao proprietário:
- O senhor faz trocas?
O fabricante, quase sem pensar, respondeu-lhe que não era habitual mas, dependendo das circunstâncias, poderiam fazer trocas.
O nosso cristão disse:
- É que eu já não consigo aguentar o peso da minha cruz e, se não se importa, gostaria de experimentar algumas das suas...
O fabricante concordou e o nosso Amigo começou a deambular pela fábrica experimentando cruzes e mais cruzes… umas eram mais pesadas, outras eram muito grandes e vistosas, outras ainda eram muito pequenas e outras havia que apesar de serem leves, não encaixavam perfeitamente nos ombros….
Passado um bom par de horas o homem gritou:
- Achei finalmente! Encontrei a cruz ideal! Quanto lhe devo meu bom amigo?
O fabricante, que tinha acompanhado toda a procura do cristão, responde-lhe com voz suave e com um pequeno sorriso:
- Você não me deve nada meu amigo...
O cristão interrompe-o e diz-lhe, ainda eufórico:
- Ora essa? Eu não estou a entender, porque o senhor teve trabalho e eu tenho que remunerá-lo por isso!
O fabricante, ainda com o sorriso no rosto, diz:
- Amigo, cada um tem a cruz que deve carregar e Deus sabe bem o peso que cada uma delas deve ter. Quando você começou a experimentar cruzes, deixou de lado a sua e, no meio da confusão e da procura na minha fábrica, você acabou por optar por esta cruz que, simplesmente, é a cruz que você trazia apoiada nos seus ombros quando aqui chegou...

 


 

 

 
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